Quem quiser ser candidato vai ter que sair, diz Trad a secretários
Sem citar especificamente o nome dos secretários que saíram, o prefeito elevou o tom e reiterou que “não vai admitir política dentro da Prefeitura.”
“Não sei se vocês se recordam, mas quando eu assumi o mandato deixei uma coisa muito bem clara: não temos compromisso com nenhum secretário, titular ou adjunto. A partir do momento que nós sentimos que nosso plano de governo e metas, que entregamos a Campo Grande, não for obedecido, a gente ia pedir para sair”, apontou, sem se referir especificamente a nenhum nome.
A apresentação dos novos secretários começou por volta das 17h, no gabinete do prefeito, na região central. A princípio, o encontro seria a portas fechadas, mas Trad autorizou a entrada dos jornalistas para a primeira parte, em que ele, Ariane, Assunção, Melissa, Filho e o novo secretário adjunto da Saúde, Rogério Souto, discursaram a seus pares.
“Quem quiser ser candidato no ano que vem vai ter que sair esse ano”, disse Trad. “Eu não vou fazer política na Prefeitura. E aqueles que querem usar a secretaria como trampolim para atingir objetivos individuais em dezembro que saia. Porque senão eu vou tirar. Que fique bem claro isso aí.”
MUDANÇAS
Assunção foi o primeiro a entrar na nova leva de secretários. Foi confirmado no último dia 13. Amigo do juiz aposentado Odilon de Oliveira, candidato derrotado ao Governo do estado pelo PDT, foi escolhido, segundo o prefeito na ocasião, “por questões técnicas.”
Os outros dois novos nomes foram revelados nesta sexta. Pela manhã, o ortopedista Filho foi confirmado no lugar de Marcelo Vilela, cuja saída era especulada desde o ano passado. O estopim para o desgaste da relação veio com o aumento no número de casos de dengue na cidade e a dificuldade de atendimento nos prontos-socorros da cidade, observada por Trad em visitas surpresas às unidades.
Na Cultura e Turismo, a justificativa para a entrada de Melissa é que a antecessora, Nilde Brun, está passando por problemas particulares.
Nenhum dos dois substituídos, contudo estiveram presentes na reunião desta tarde. E Trad ressaltou que a escolha dos substitutos foi acertada em conjunto com sua vice.
“Eu tenho reparado que a gestão pública traz um estresse muito grande para aqueles que estão na titularidade de suas funções, que ultrapassa o individual e adentra muitas vezes nos lares. Não é muito comum a gente ver o olhar muito cansado dos funcionários. Não é a toa também o número substancial dos funcionários que adoecem durante o que se passa no exercício de suas funções”, disse o prefeito.
Para Trad, que qualificou Nilde e Vilela como “pessoas honradas e honestas”, ambos não suportaram o “desgaste emocional e fisico.”
“Nós estamos ocupando uma função que com certeza traz um desgaste. Nossa função muitas vezes não é muito bem compreendida. Os nossos passos são vigiados. Quando se acerta é obrigação, quando se erra é a defenestração pública muitas vezes. A gente anda 24 horas praticamente orando para poder entregar a população aquilo que de melhor ela merece”, concluiu.
