Volume de empresas de um “único sócio” triplica
Abertura de negócios na modalidade empresa individual de responsabilidade limitada (Eireli), em que o empreendimento tem um único sócio e não há nenhum tipo de limite de faturamento, triplicou em Mato Grosso do Sul nos últimos sete anos, de acordo com números da Junta Comercial do Estado (Jucems).
Em 2012, um ano após entrar em vigor a legislação que cria esse modelo empresarial, eram 826 empresas do tipo Eireli no Estado. Em 2018, esse número saltou para 2.040 empreendimentos. Somente neste ano (dados até março), foram 553 empresas constituídas no Estado como Eirelis. Em relação ao mesmo período de 2018 (quando foram abertas 534 empresas da modalidade), o avanço foi de 3,5%.
Conforme informações da plataforma Conur, a modalidade Eireli é uma representação jurídica na qual apenas o titular, que é o único dono, tem responsabilidade limitada com as obrigações de uma empresa.
Na prática, a pessoa que quer abrir um negócio por meio desse modelo não poderá ter o seu patrimônio pessoal afetado pelas dívidas da empresa (condição válida desde que o responsável legal da empresa não pratique nenhum tipo de ato ilícito, como fraudes em licitação e lavagem de dinheiro, por exemplo). Trata-se de uma categoria especialmente interessante para as micro e pequenas empresas, já que é um modelo mais simplificado de negócio.
Entre as vantagens, o formato Eireli impede que os bens do titular sejam afetados em caso de uma falência; a empresa não tem nenhum tipo de limite de faturamento; e o empresário pode escolher o modelo de tributação mais adequado para o porte de seu negócio, podendo optar, inclusive, pelo Simples Nacional.
No caso de um microempreendedor individual (MEI), o faturamento pode ser de, no máximo, R$ 81 mil ao ano. A principal desvantagem da Eireli é o valor do capital social (de, no mínimo, 100 salários mínimos atuais), considerado alto demais. Além disso, o titular pode ter apenas uma Eireli.
CAPITAL
A mesma trajetória anual de aumento das Eirelis se estende ao cenário de Campo Grande, de acordo com o levantamento da Jucems. A quantidade de empresas que iniciaram atividade na Capital nesse modelo individual mais que dobrou e passou de 400 estabelecimentos, em 2012, para 973 no ano passado.
Já quando considerado o desempenho registrado no primeiro trimestre, o recuo foi de 4,5% no número de Eirelis criadas em Campo Grande. O volume de empresas saiu de 242, de janeiro a março de 2018, para 231 no mesmo período de 2019.
NEGÓCIOS COM STATUS INTERNACIONAL
Entre os negócios constituídos na modalidade ao longo desse período na Capital, está a fábrica de cutelaria (especializada em facas, tábuas e utensílios nos segmentos gourmet e churrasco amador e profissional), do casal Alexandre Barbosa e Edilce Mesnerovicz. A atividade, que começou de forma artesanal com o paulista Alexandre – filho de cuteleiro e administrador de empresas, com pós-graduação em Gestão Industrial –, foi profissionalizada a partir de 2012. “Eu sempre tive isso como um hobby, meu pai é cuteleiro. Em 2009, eu trabalhava com equipamento industrial e surgiu a oportunidade de atender a um pedido de 6 mil peças. Eu fazia no máximo uma faca por semana, no máximo três por mês. Foi quando a gente teve que montar uma estrutura de fábrica. Em 2012, nós fomos de cinco para 20 funcionários e aí tivemos que profissionalizar”, contou Alexandre.
Após a formalização e abertura da personalidade jurídica, foram cerca de 5 anos de ajustes, entre importação de equipamentos, formação de fornecedores, entre outras ações. Hoje, a fábrica de cutelaria atende clientes principalmente de São Paulo (que concentra em torno de 90% dos pedidos) e também do exterior, como Argentina, Chile, Paraguai, Colômbia e também Estados Unidos.
Neste ano, a fábrica está sendo preparada para voos ainda maiores, com a expectativa de sair do espaço atual, na região da Vila Palmira, para o Indubrasil. Com a mudança, a capacidade de produção deve ser expandida de 10 mil para 50 mil peças por mês. “Estamos à beira de passar do Simples [Nacional]”, comentou.
*Correio do Estado
